Especialista mostra como genética, rotina e repetição influenciam a formação de novos comportamentos
A ideia de que bastam 21 dias para criar um novo hábito se tornou uma das crenças mais conhecidas quando o assunto é mudança de comportamento. A teoria costuma ganhar força sempre que começam novos ciclos, como o início do ano, do mês ou da semana, período em que muitas pessoas prometem adotar uma rotina mais saudável. No entanto, estudos científicos indicam que a realidade é bem mais complexa.
Uma pesquisa conduzida pela University College London (UCL) acompanhou pessoas que buscavam incorporar novos comportamentos ao dia a dia e concluiu que a formação de um hábito depende de diversos fatores. O levantamento apontou que, em média, são necessários cerca de 66 dias para que uma ação passe a ocorrer de forma automática. Em alguns casos, esse processo aconteceu em apenas 18 dias, enquanto outros participantes precisaram de até 254 dias.
Para o médico especialista em Medicina Genômica, Dr. Pedro Andrade, esses resultados reforçam que não existe um prazo único capaz de servir para todas as pessoas.
"Mais importante do que contar os dias é manter a constância. O cérebro aprende por repetição, e cada organismo responde de maneira diferente às mudanças de comportamento", explica.
Segundo o especialista, a facilidade para criar um novo hábito não depende apenas da disciplina. Aspectos como genética, qualidade do sono, níveis de estresse, ambiente, rotina e experiências individuais também influenciam a forma como o cérebro consolida novos comportamentos.
"Temperamento, funcionamento do sistema de recompensa do cérebro e fatores ligados ao estilo de vida interferem diretamente na velocidade com que um hábito é incorporado", afirma.
Outro ponto destacado pelo médico é que o desconforto sentido nos primeiros dias faz parte do processo natural de adaptação.
"Nos primeiros momentos, o cérebro tende a resistir às mudanças porque busca economizar energia e preservar padrões já conhecidos. Essa resistência inicial não significa incapacidade, mas faz parte da reorganização dos circuitos cerebrais."
Por isso, abandonar uma nova rotina após alguns dias pode interromper um processo que ainda está em construção.
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| Foto: Divulgação |
O especialista também ressalta que a manutenção de um hábito costuma estar mais relacionada à sensação de recompensa do que à força de vontade.
"Quando o cérebro associa um comportamento a uma experiência positiva, aumenta a chance de que ele seja repetido. Reconhecer pequenas conquistas ao longo do caminho costuma ser mais eficiente do que esperar apenas grandes resultados."
Outro aspecto importante é compreender que falhas ocasionais não anulam o progresso conquistado. Para o médico, a capacidade de retomar a rotina é mais relevante do que buscar uma execução perfeita.
"O cérebro não funciona como um cronômetro. Cada pessoa constrói novos hábitos em seu próprio ritmo. O que realmente faz diferença é continuar retomando o comportamento sempre que necessário. Com o tempo, essa repetição transforma o esforço em algo natural", conclui Dr. Pedro Andrade.

