Perda de peso depende da qualidade da dieta

Redução do apetite exige atenção à qualidade da dieta para preservar a saúde durante o emagrecimento

Foto: Freepik

O avanço do uso das chamadas canetas emagrecedoras transformou a forma como muitas pessoas conduzem o processo de perda de peso. Ao reduzir o apetite e retardar o esvaziamento gástrico, esses medicamentos favorecem a diminuição da ingestão calórica e podem proporcionar resultados expressivos. Ao mesmo tempo, especialistas observam um desafio crescente: pacientes que comem menos, mas não necessariamente melhor.

A diminuição da fome costuma levar à redução do volume das refeições. Sem orientação adequada, muitos passam a pular horários de alimentação ou fazem escolhas pobres em nutrientes, acreditando que qualquer redução no consumo será suficiente para emagrecer. O resultado pode ser um organismo com menor peso, mas também mais vulnerável à perda de massa muscular, deficiências nutricionais e alterações metabólicas.

Sintomas como fadiga, fraqueza, queda de cabelo, dificuldade de concentração e redução do desempenho físico podem estar relacionados à ingestão insuficiente de nutrientes essenciais. A restrição alimentar prolongada também favorece a perda de massa magra, condição que reduz o gasto energético do organismo e dificulta a manutenção do peso no longo prazo.

Segundo o médico gastroenterologista e cirurgião geral Mauro Lúcio Jácome, o principal erro é associar o sucesso do tratamento apenas à redução das calorias consumidas. "As canetas emagrecedoras diminuem o apetite, mas não substituem uma alimentação equilibrada. Quando o paciente passa a ingerir pequenas quantidades de alimentos com baixo valor nutricional, o organismo deixa de receber proteínas, vitaminas, minerais e fibras fundamentais para preservar a saúde durante o emagrecimento”, indica.

De acordo com o especialista, a proteína merece atenção especial durante esse processo. “Além de contribuir para a preservação da massa muscular, ela participa da recuperação dos tecidos, da produção de hormônios e do funcionamento do sistema imunológico. Perder peso não significa apenas eliminar gordura. O objetivo deve ser reduzir o tecido adiposo preservando a massa muscular. Isso depende diretamente da qualidade da alimentação e, em muitos casos, da prática de exercícios de força orientados por profissionais”, completa Dr. Mauro.

As fibras também exercem papel importante na resposta ao tratamento. Presentes em frutas, verduras, legumes, grãos integrais e leguminosas, elas favorecem o funcionamento intestinal, prolongam a saciedade e contribuem para o controle da glicemia. A hidratação, por sua vez, merece atenção constante, já que muitos pacientes deixam de sentir sede com a mesma frequência durante o uso dos medicamentos, aumentando o risco de desidratação.

Outro aspecto frequentemente negligenciado é a necessidade de acompanhamento multidisciplinar. Embora as canetas tenham ampliado as possibilidades de tratamento da obesidade e do sobrepeso, especialistas ressaltam que os medicamentos representam apenas uma etapa de um processo mais amplo, que envolve mudanças permanentes nos hábitos de vida.

"O tratamento medicamentoso oferece uma oportunidade importante para reeducar o comportamento alimentar, mas ele precisa ser acompanhado por uma equipe multidisciplinar. Médico, nutricionista, educador físico e, quando necessário, psicólogo atuam de forma complementar para que o paciente alcance resultados consistentes e seguros, evitando tanto a desnutrição quanto o reganho de peso", finaliza Dr. Mauro.


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