Projeto que proíbe foie gras aguarda sanção e mobiliza entidades de proteção animal

Organizações divulgam nota pública em defesa da aprovação da proposta e comentam posicionamentos apresentados durante a tramitação do projeto

Foto: Animal Equality 


Quase dois meses após a conclusão de sua tramitação no Congresso Nacional, o Projeto de Lei nº 90/2020, que prevê a proibição da produção e da comercialização de foie gras no Brasil, ainda aguarda encaminhamento para sanção presidencial. Enquanto o texto permanece nessa etapa do processo legislativo, entidades ligadas à proteção animal têm se mobilizado para defender a aprovação da medida.

Segundo a Associação Nacional de Advogados Animalistas (ANAA), o período de espera coincide com manifestações públicas da CIFOG (Le Comité Interprofessionnel des Palmipèdes à Foie Gras), entidade que representa produtores franceses de foie gras e que se posicionou de forma contrária ao projeto aprovado pelo Congresso Nacional.

Em resposta, a ANAA, juntamente com outras organizações da sociedade civil, divulgou uma Nota Pública na qual sustenta que a proposta encontra respaldo na Constituição Federal e defende que o texto seja sancionado. O documento também apresenta o entendimento das entidades sobre aspectos jurídicos e comerciais relacionados ao projeto.

Para a presidente da ANAA, Giseli Cheim, a discussão deve considerar os princípios constitucionais voltados à proteção dos animais.

"A Constituição Federal proíbe práticas cruéis contra os animais, e o Congresso Nacional já deliberou sobre o tema após anos de debate."

O projeto teve início no Senado Federal, em 2020, por iniciativa do então senador Eduardo Girão, e tramitou por aproximadamente seis anos até sua aprovação pelo Congresso. Durante esse período, a proposta recebeu manifestações de apoio de organizações e cidadãos favoráveis à proibição.

Na avaliação da gerente de Projetos da Animal Equality BrasilMarina Lemes, a aprovação representa um avanço nas políticas voltadas ao bem-estar animal.

"Entendemos que a proposta representa um marco importante para a proteção animal e esperamos a conclusão do processo legislativo."

Outra entidade que acompanha a tramitação é a Sinergia Animal. Segundo o especialista em Políticas Públicas da organização, Arthur Regis, a definição sobre o projeto é aguardada por diversas instituições que atuam na defesa dos animais.

O debate gira em torno da produção do foie gras, alimento obtido a partir de um método conhecido como gavage. Conforme descrevem estudos científicos e entidades de proteção animal, a técnica consiste na alimentação intensiva de patos e gansos por meio de um tubo introduzido no esôfago para aumentar o fígado das aves, procedimento que é alvo de discussões sobre bem-estar animal em diversos países.

O diretor de Relações Governamentais e Políticas Públicas da Mercy For AnimalsGeorge Sturaro, avalia que a proposta é compatível com normas do comércio internacional.

"Na nossa avaliação, as regras da Organização Mundial do Comércio admitem que os países adotem medidas relacionadas à proteção da moral pública e ao bem-estar animal. Existem precedentes internacionais que reforçam esse entendimento."

Entre os países que adotam restrições relacionadas à produção ou comercialização do foie gras estão Argentina, Reino Unido, Alemanha e Itália, cada um conforme sua legislação específica.

Além da ANAA, a Nota Pública conta com o apoio de organizações como Animal Equality BrasilMercy For AnimalsSinergia AnimalSociedade Vegetariana Brasileira (SVB)Instituto AMPARA AnimalFEBRACAInstituto de Medicina Veterinária do Coletivo (IMVC)Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, entre outras entidades ligadas à causa animal.

Até o momento, o Projeto de Lei nº 90/2020 segue aguardando os próximos trâmites necessários para a conclusão do processo legislativo, que poderá resultar na sanção ou no veto presidencial.


REDAÇÃO

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