Cantora classificou o uso de inteligência artificial para ironizar situações de abuso como preocupante e de mau gosto
A cantora Vanessa da Mata utilizou suas redes sociais nesta sexta-feira (03/07) para manifestar um forte descontentamento com a onda de conteúdos que dominam a internet durante a Copa do Mundo de 2026. O alvo das críticas foram os memes criados por inteligência artificial que viralizaram nas plataformas digitais, retratando os atacantes Vinicius Jr. e Erling Haaland em cenas inspiradas no filme "As Branquelas". Embora o material tenha ganhado repercussão e até reações dos próprios jogadores, a artista foi categórica ao afirmar que não enxerga humor na brincadeira.
Em um desabafo público, Vanessa da Mata não poupou palavras ao classificar o conteúdo como "absolutamente de mau gosto" e profundamente simbólico de uma postura social que, segundo ela, precisa ser repensada. Para a cantora, o grande problema reside na banalização de temas sensíveis e na associação de montagens com a cultura do abuso e da violência sexual. "Só eu não estou achando graça? É absolutamente absurdo e negativo. Isso é altamente preocupante e não engraçado", pontuou a artista em uma sequência de publicações que rapidamente ganhou destaque.
A cantora questionou a falta de repertório e criatividade nas produções digitais que circulam atualmente. Ela argumentou que a repetição de cenas que ironizam o medo e o pavor de uma vítima de violência acaba por normalizar comportamentos que deveriam ser combatidos em vez de celebrados como entretenimento. "Usando de maneira hiper sexualizada, banalizada, e ironizando com o medo, pavor do abuso e estupro... não é mais engraçado ser perverso em 2026", reforçou, cobrando um posicionamento mais responsável por parte do público que consome e compartilha esse tipo de material.
Vanessa da Mata também destacou que a discussão sobre o impacto da violência sexual é universal e não deveria ser tratada com descaso, independentemente do gênero. A artista lembrou que muitos homens também passam por traumas, medos e inseguranças em situações de vulnerabilidade, e que rir desse cenário é uma postura desdenhosa com quem sofre diariamente. "Achar engraçado a cultura de estupro é, no mínimo, suspeito. É só se colocar no lugar do outro", alertou.
