Condições urbanas e ambientais influenciam diretamente a saúde, a aprendizagem e o bem-estar de crianças desde a primeira infância
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Crianças interagem em áreas verdes, experiência que é fundamental para o desenvolvimento durante a primeira infância. Foto: Divulgação |
Enchentes, ondas de calor, poluição e o crescimento urbano desordenado são desafios que extrapolam a infraestrutura das cidades e atingem, de forma direta, o desenvolvimento das crianças. Especialistas reforçam que as condições do território onde uma criança cresce são determinantes para sua saúde, capacidade de aprendizagem e bem-estar emocional. Em um país marcado por desigualdades, o acesso a saneamento básico, moradia adequada e espaços públicos de qualidade é fundamental para garantir o desenvolvimento saudável desde os primeiros anos de vida.
Segundo Ana Luiza Buratto, coordenadora-geral do projeto Primeira Infância Cidadã, o ambiente físico funciona como um pilar para o crescimento da criança. O contato com áreas verdes, por exemplo, oferece oportunidades para o exercício da autonomia, estimula a coordenação motora e favorece a criatividade, além de atuar na redução do estresse. Paralelamente, o saneamento básico cumpre um papel preventivo vital, diminuindo a incidência de doenças como diarreia e verminoses, o que reduz os índices de mortalidade e assegura melhores condições de vida para as famílias.
O cenário atual, marcado pelo aumento de eventos climáticos extremos, torna a discussão ainda mais urgente. Crianças pequenas compõem um dos grupos mais vulneráveis aos riscos ambientais, o que exige que gestores municipais tratem a qualidade do ar e a segurança climática como prioridades de saúde pública. Além dos aspectos ambientais, a falta de espaços seguros para o brincar limita a interação social, dificultando a construção da identidade, a capacidade de cooperação e o fortalecimento de vínculos afetivos.
Para transformar esse quadro, a recomendação é a integração entre políticas ambientais e de primeira infância. O planejamento urbano deve priorizar o investimento em parques, a melhoria da mobilidade no entorno de escolas e a manutenção constante de praças. A construção de cidades mais amigáveis à infância depende de projetos que contemplem o orçamento público e a mobilização comunitária, garantindo que o desenvolvimento urbano responda às necessidades daqueles que serão os futuros cidadãos do país.
