Agências apostam em estratégia de creators para crescer na economia digital

Especialistas apontam que presença ativa nas redes sociais deixou de ser diferencial e passou a impulsionar negócios na creator economy

Foto: Divulgação 

As agências de marketing de influência, responsáveis por desenvolver estratégias para marcas e criadores de conteúdo, passaram a aplicar em si mesmas aquilo que sempre recomendaram aos clientes: investir na própria presença digital. Em um mercado cada vez mais competitivo, fortalecer a marca nas redes sociais tornou-se uma ferramenta importante para ampliar autoridade, atrair novos negócios e construir relacionamento com o público.

O movimento acompanha o crescimento da chamada creator economy, segmento que transformou influenciadores em protagonistas da comunicação digital. Atualmente, o Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial de influenciadores, atrás apenas dos Estados Unidos, segundo levantamento da plataforma HypeAuditor.

Para Ana Jacobs, CEO da Jacobs Comunicação, a lógica é simples: se as agências orientam empresas e creators sobre construção de audiência, também precisam colocar essa estratégia em prática.

"Não faz sentido orientar creators e marcas sobre construção de audiência sem aplicar os mesmos princípios em casa. A presença digital deixou de ser uma vitrine institucional e passou a ser uma ferramenta de vendas e relacionamento", afirma a executiva.

A estratégia já apresenta resultados concretos. Levantamento divulgado pela Zeeng – Social Media Benchmark colocou a Jacobs Comunicação entre as agências de comunicação com maior índice de engajamento orgânico no Instagram durante o primeiro semestre de 2026. O estudo analisou o desempenho de 348 agências brasileiras entre janeiro e junho, considerando curtidas e comentários obtidos nas publicações.

A partir da própria experiência, a equipe da Jacobs identificou cinco estratégias que vêm sendo adotadas por empresas da creator economy para fortalecer sua presença digital.

Entre elas está a valorização dos bastidores. Em vez de utilizar as redes apenas para divulgar campanhas finalizadas, muitas empresas passaram a mostrar processos criativos, reuniões, desafios e etapas da produção, aproximando o público do dia a dia da operação e transmitindo maior autenticidade.

Outro ponto destacado é o fortalecimento da imagem dos próprios líderes. Executivos e fundadores deixaram de aparecer apenas em eventos institucionais e passaram a produzir conteúdo com opiniões, análises de mercado e experiências profissionais. Para os especialistas, pessoas se conectam com pessoas, e essa aproximação favorece a geração de negócios.

A consistência também aparece como fator determinante. Em vez de apostar apenas em conteúdos virais, as empresas têm priorizado um calendário frequente de publicações, construindo relacionamento contínuo com a audiência e fortalecendo a credibilidade da marca ao longo do tempo.

Os especialistas ainda observam que o tamanho da comunidade passou a ter mais peso do que o número absoluto de seguidores. Conteúdos que estimulam conversas, apresentam tendências e compartilham conhecimento costumam gerar maior identificação com o público e criar relações mais duradouras.

Por fim, a produção de conteúdo deixou de ser vista apenas como estratégia de comunicação e passou a integrar diretamente o desenvolvimento comercial das empresas. Carrosséis, vídeos curtos e análises sobre campanhas funcionam hoje como vitrines capazes de atrair clientes, parceiros e novos creators para o portfólio das agências.

Para Jessica Vieira, gerente comercial da Jacobs Comunicação, compreender esse novo comportamento do mercado é fundamental para empresas que desejam crescer na economia digital.

Segundo ela, posicionar-se de forma ativa nas redes sociais amplia a visibilidade da empresa e cria oportunidades comerciais que, muitas vezes, dificilmente seriam alcançadas por outros canais.

Em um cenário em que a creator economy segue em expansão, a presença digital das próprias agências deixa de ser apenas institucional e passa a fazer parte da estratégia de crescimento, relacionamento e geração de negócios.

REDAÇÃO

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