Estudo aponta que disputa pela atenção do público será o principal desafio das empresas durante o Mundial
A Copa do Mundo de 2026 promete entrar para a história não apenas pelo número recorde de partidas, mas também pela transformação que deve provocar na publicidade global. Com consumidores dividindo a atenção entre televisão, celulares, redes sociais e plataformas de streaming, as marcas precisarão rever suas estratégias para conquistar espaço durante o maior evento esportivo do planeta.
Um levantamento realizado pela MiQ, empresa global especializada em mídia programática, mostra que o Mundial deverá reunir mais de 5 bilhões de espectadores em diferentes plataformas e gerar cerca de 15 bilhões de interações nas redes sociais ao longo da competição. O cenário reforça que alcançar grandes audiências já não será suficiente: entender o comportamento do consumidor em tempo real será determinante para o sucesso das campanhas.
Segundo a pesquisa, quase metade da audiência da Copa deverá acompanhar os jogos por serviços de streaming e plataformas OTT, enquanto a maioria dos torcedores utilizará uma segunda tela durante as partidas. Essa mudança faz com que as empresas precisem criar ações capazes de dialogar simultaneamente com diferentes canais e formatos de consumo.
Para Guilherme Assumpção, Managing Director da MiQ, o grande diferencial estará na capacidade das marcas de interpretar rapidamente o comportamento do público.
"As campanhas mais eficientes serão aquelas capazes de compreender o contexto de consumo e adaptar suas mensagens em tempo real. Hoje, o torcedor assiste ao jogo enquanto navega nas redes sociais, pesquisa informações e até realiza compras", afirma o executivo.
O estudo também identificou três perfis predominantes entre os consumidores da Copa. O primeiro reúne os apaixonados por futebol, que acompanham o torneio de forma intensa e representam cerca de 29 milhões de usuários únicos no Brasil. Outro grupo é formado pelo chamado "patriota social", composto por pessoas que acompanham os principais momentos da competição e participam das conversas nas redes sociais, totalizando aproximadamente 20 milhões de usuários. Já os fãs de esportes, mesmo sem terem o futebol como principal interesse, somam cerca de 54 milhões de brasileiros e representam uma oportunidade importante para marcas ligadas ao entretenimento, estilo de vida e plataformas digitais.
Além do comportamento do público, o Brasil permanece como um dos mercados mais relevantes para a publicidade durante a Copa. De acordo com a MiQ, aproximadamente 49 milhões de brasileiros demonstram interesse pelo torneio, e o país concentra entre 30% e 40% da audiência televisiva da América Latina durante as edições do Mundial.
A edição de 2026 contará com 104 partidas, número 60% superior ao formato tradicional da competição, ampliando significativamente as possibilidades de ações comerciais. O torneio também deverá movimentar mais de 1,2 milhão de turistas internacionais nos países-sede, incluindo um número expressivo de brasileiros.
Diante desse cenário, especialistas apontam que recursos como inteligência artificial, mídia programática, TV conectada, retail media, publicidade digital externa e campanhas personalizadas ganharão ainda mais importância para conectar marcas e consumidores durante a competição.
Para a MiQ, o sucesso das empresas dependerá menos do volume de investimento e mais da capacidade de compreender as audiências, personalizar mensagens e aproveitar as oportunidades geradas pelo comportamento do público em tempo real.
