Oficinas gratuitas incentivam o aproveitamento integral dos alimentos, geração de renda e ações sociais em comunidades do município
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| Foto: Divulgação |
As oficinas de culinária sustentável do projeto Gastronomia Também é Arte – 2ª edição vêm transformando a rotina de centenas de mulheres em Guarulhos ao mostrar que a cozinha pode ser muito mais do que um espaço de preparo de refeições. A iniciativa, patrocinada pela GRU Airport e realizada pela Ecotransforma SB, alia alimentação consciente, aproveitamento integral dos alimentos, educação e geração de renda, levando conhecimento para diferentes comunidades do município.
Ao longo da programação, as participantes aprenderam receitas preparadas com ingredientes acessíveis e técnicas que reduzem o desperdício, como doce de casca de banana, tortas, caldo verde, baião de dois e cuscuz paulista. Mais do que ensinar novas formas de cozinhar, o projeto estimula a autonomia financeira, fortalece vínculos comunitários e desperta novas possibilidades de empreendedorismo.
Nesta segunda edição, o Gastronomia Também é Arte disponibilizou mais de 1.200 vagas gratuitas, consolidando-se como uma das iniciativas sociais voltadas à capacitação gastronômica em Guarulhos. O projeto integra a agenda de ações socioculturais apoiadas pela concessionária responsável pela administração do Aeroporto Internacional de São Paulo.
Segundo Abilio Martins, diretor da Ecotransforma SB e idealizador da iniciativa, o maior resultado das oficinas acontece quando o aprendizado ultrapassa a sala de aula e passa a fazer parte da rotina das famílias.
"Quando uma participante leva esse conhecimento para casa, para uma cozinha comunitária ou para uma ação social, o impacto ganha novas camadas. A gastronomia se torna uma ferramenta de autonomia e transformação no território", afirma.
Essa transformação pode ser percebida nas histórias das próprias participantes.
Moradora do Parque Uirapuru há mais de três décadas, Tânia Rocha encontrou nas oficinas uma oportunidade de ampliar o trabalho voluntário desenvolvido na Paróquia São Francisco de Assis, onde participa do grupo Alimentando a Esperança, responsável pelo preparo de refeições destinadas a pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Para ela, o conhecimento adquirido permitirá diversificar o cardápio servido à comunidade, aproveitando melhor os alimentos e reduzindo desperdícios.
"Algumas receitas podem ser aproveitadas no grupo, porque ajudam a reduzir o desperdício e a preparar refeições para mais pessoas. É um aprendizado que não fica só com a gente", destaca.
Natural de Camacan, na Bahia, Tânia também atua como voluntária em outras atividades sociais e já trabalhou como confeiteira, produzindo doces e bolos para complementar a renda familiar. Seu envolvimento com projetos comunitários começou por meio das ações desenvolvidas pela Associação Cristã de Moços (ACM), instituição que promove atividades culturais, esportivas e socioeducativas em Guarulhos.
Foi justamente na ACM que Ana Maria Teodoro conheceu o projeto. Moradora do Parque Uirapuru, ela participou de todas as oficinas e afirma que a experiência mudou sua relação com a cozinha.
Vivendo sozinha e trabalhando como cuidadora aos finais de semana, Ana conta que raramente preparava refeições em casa antes das atividades.
"Para mim, foi ótimo. Gostei muito das receitas e da forma espontânea da chef ensinar", relata.
Entre os pratos que mais despertaram seu interesse estão o doce feito com casca de banana e a torta de frios. Durante o curso, ela ainda foi contemplada em um sorteio com um jogo de panelas, incentivo que pretende utilizar para continuar reproduzindo as receitas aprendidas.
Outra história é a de Marivalda Ribeiro, moradora da Vila Nova Cumbica. Aposentada, mas ainda atuando como diarista e artesã, ela produz sabonetes, bonecas confeccionadas com garrafas PET e diversos artigos manuais.
Com as oficinas, Marivalda passou a enxergar a culinária como uma possibilidade concreta de ampliar sua renda.
"O curso ajuda muito em casa, principalmente para reaproveitar melhor os alimentos. Aprendi receitas que quero fazer para a família e também comecei a pensar na alimentação como uma possibilidade de renda no futuro", afirma.
Entre as receitas preferidas, ela destaca o beijinho preparado com banana-da-terra, a torta, o cuscuz paulista e o caldo verde, que chegou a servir durante a comemoração de seu aniversário, em junho.
Além das atividades gastronômicas, o projeto também promove ações voltadas para a educação. Escolas públicas de Guarulhos receberam workshops de fotografia para estudantes e atividades direcionadas aos professores da rede municipal.
O encerramento da programação contará ainda com uma exposição de fotografia artística no Aeroporto Internacional de São Paulo, conectando gastronomia, educação, arte e território em uma única iniciativa.
Para a GRU Airport, apoiar projetos como esse representa uma forma de fortalecer a relação com as comunidades localizadas no entorno do aeroporto e ampliar oportunidades para a população local.
"Esse projeto representa muito mais do que oficinas de capacitação. É uma oportunidade de fortalecer a autonomia das mulheres, ampliar possibilidades de geração de renda e construir novos caminhos de desenvolvimento. Investir em conhecimento significa transformar histórias e aproximar ainda mais o aeroporto das pessoas que vivem em seu entorno", afirma Ana Ernica, diretora administrativa da GRU Airport.
Ao incentivar práticas sustentáveis, estimular o empreendedorismo feminino e fortalecer ações comunitárias, o Gastronomia Também é Arte demonstra como a culinária pode ultrapassar a cozinha e se tornar um instrumento de inclusão social, desenvolvimento econômico e transformação de vidas.
