Férias impulsionam creator economy e transformam adolescentes em produtores de conteúdo digital

Especialista explica como o período de recesso escolar tem ampliado o interesse dos jovens pela criação de conteúdo e destaca a importância da educação digital para um uso consciente das plataformas

Foto: Divulgação 

As férias escolares deixaram de representar apenas um período de descanso para milhares de adolescentes brasileiros. Cada vez mais conectados, muitos jovens aproveitam o tempo livre para criar vídeos, desenvolver perfis nas redes sociais, produzir conteúdos autorais e até buscar oportunidades de renda na internet. O fenômeno acompanha o crescimento da creator economy e revela uma mudança no comportamento das novas gerações, que passaram de consumidoras para protagonistas da produção digital.

O avanço dessa tendência também é sustentado pelos números. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil, realizada pelo Cetic.br/NIC.br, cerca de 93% dos brasileiros entre 9 e 17 anos utilizam a internet. Nesse ambiente, as plataformas digitais deixaram de servir exclusivamente para entretenimento e passaram a funcionar como espaços de aprendizado, criatividade, empreendedorismo e construção de identidade.

O movimento não acontece apenas no Brasil. De acordo com o The Creator Economy Report 2024, da Adobe, mais de 45% da Geração Z já se considera criadora de conteúdo, produzindo vídeos, transmissões ao vivo, fotografias e outros materiais para plataformas digitais. Para muitos adolescentes, essa atividade representa tanto uma forma de expressão quanto uma possibilidade de desenvolver uma carreira no futuro.

Para o Padre Dr. José Erivaldo Dantas, diretor da Faculdade Paulus de Tecnologia e doutor em Comunicação e Semiótica, o período de férias tem sido cada vez mais utilizado como oportunidade para desenvolver novas habilidades.

"As férias deixaram de ser apenas um momento de consumo de conteúdo. Muitos adolescentes passaram a aproveitar esse período para aprender novas habilidades, experimentar diferentes linguagens digitais e desenvolver projetos próprios. Isso pode ser extremamente positivo quando existe equilíbrio, orientação e consciência sobre os desafios desse ambiente", afirma.

Segundo o especialista, produzir conteúdo vai muito além da criatividade. A atividade exige planejamento, organização, domínio das ferramentas digitais, capacidade de comunicação e responsabilidade sobre aquilo que é publicado.

"Criar conteúdo envolve competências que serão cada vez mais valorizadas no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, é fundamental discutir saúde mental, privacidade, exposição excessiva e a pressão por resultados. O ambiente digital oferece oportunidades, mas também exige maturidade para lidar com seus riscos", explica.

Com o crescimento da economia digital, especialistas defendem que famílias e instituições de ensino acompanhem essa transformação. A educação digital, o pensamento crítico e a compreensão dos impactos das redes sociais são apontados como elementos fundamentais para que adolescentes utilizem a tecnologia de forma saudável e consciente.

Para o Padre Dr. José Erivaldo, o desafio não está em afastar os jovens das plataformas, mas em prepará-los para lidar com elas de maneira responsável.

"O desafio não é afastar os jovens das plataformas, mas prepará-los para utilizá-las de forma ética, crítica e responsável. A educação precisa acompanhar essa transformação para que eles aproveitem as oportunidades da economia digital sem abrir mão do equilíbrio, da formação humana e do bem-estar", conclui.

REDAÇÃO

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