Produtora sergipana celebra 10 anos e prepara primeiro longa após trajetória de destaque em festivais

Floriô de Cinema consolida uma década de produções premiadas, amplia projetos audiovisuais e fortalece a formação de novos profissionais em Sergipe

Foto: Divulgação 

A produtora sergipana Floriô de Cinema chega aos dez anos de atuação consolidando uma trajetória marcada por filmes premiados, presença em festivais nacionais e internacionais e um compromisso permanente com a valorização das narrativas nordestinas. Para celebrar a primeira década de história, a empresa prepara a produção de Abya Yala, seu primeiro longa-metragem, ao mesmo tempo em que amplia seu catálogo de obras e investe na formação de novos profissionais do audiovisual.

Fundada em 2016 por estudantes do curso de Audiovisual da Universidade Federal de Sergipe (UFS), a Floriô nasceu em um contexto de pouca estrutura para a produção cinematográfica no estado. O que começou como um coletivo universitário transformou-se em uma produtora reconhecida por obras que dialogam com temas como território, identidade, negritude e diversidade.

Ao longo desses dez anos, seus filmes circularam por importantes eventos do cinema brasileiro e internacional, como a Mostra de Cinema de TiradentesFestival de GramadoChicago Latino Film FestivalSeattle Black Film FestivalMelbourne Queer Film FestivalFestival Guarnicê e Curta-SE. As produções também conquistaram espaço em plataformas e canais como Canal BrasilItaú Cultural PlaySPCine Play e Embaúba Play.

"A Floriô nasceu como Floriô Filmes, formada por jovens estudantes que compartilhavam o sonho de fazer florescer o cinema em um território marcado pela escassez de recursos, mas abundante em identidade e histórias pulsantes. Em 2020 retomamos as atividades com uma nova formação, muito mais madura, ampliando nossas conexões no Brasil e no exterior para fortalecer e impactar a produção local", afirma a diretora e roteirista
 Carolen Meneses, uma das fundadoras da produtora.

Entre os trabalhos de maior destaque estão Ímã de Geladeira, exibido na Mostra de Tiradentes e premiado no Festival de Gramado; ANARRIÊ, que percorreu mais de 40 festivais e recebeu prêmios de direção, fotografia e melhor filme; Abjetas 288, vencedor da Mostra Foco da Mostra de Tiradentes; além de Onde a Fé Tem Nos LevadoPorto das AlmasMergulho.

Agora, a produtora inicia uma nova fase com a realização de Abya Yala, primeiro longa-metragem da Floriô, aprovado para produção por meio da Lei Paulo Gustavo. Paralelamente, desenvolve outros três longas, duas séries e novos curtas com previsão de lançamento para 2027.

Entre os projetos em andamento está Corpus-Água, dirigido por Sidjonathas Araújo e premiado em 2026 no XXI Panorama Internacional Coisa de Cinema, além da série Onilé, também dirigida por Araújo, selecionada para o Campus Málaga Talent, na Espanha, e vencedora de premiação no Mercado EGBÉ.

"Esses dez anos marcam um projeto de vida que segue de pé. Escolhemos continuar produzindo em Sergipe porque entendemos que nossos projetos só podem ser realizados neste lugar, por estarem conectados ao território e às pessoas que o constroem", destaca o diretor e produtor
 Neto Astério.

Além da produção audiovisual, a Floriô também investe na formação de novos talentos por meio do Pólen das Artes, iniciativa que reúne cursos, oficinas e masterclasses de cinema e já alcançou mais de 150 participantes. Outro destaque é o CRIAS – Cine de Rua Infantil de Sergipe, projeto itinerante de exibição gratuita de cinema brasileiro que caminha para sua quarta edição.

Para Sidjonathas Araújo, o objetivo da próxima década é ampliar a presença da produtora no mercado audiovisual sem abrir mão da identidade construída em Sergipe.

"Queremos expandir nossa atuação no audiovisual brasileiro, fortalecendo as conexões artísticas construídas em Sergipe e contribuindo para um cinema comprometido com a transformação social, a inovação artística e a circulação de histórias que ainda encontram poucos espaços de visibilidade", afirma.

A roteirista e produtora Thaís Galindo Ramos reforça que a diversidade continua sendo um dos pilares da produtora.

"Acreditamos que fazer cinema em Sergipe, a partir de quem somos e de onde viemos, é também garantir que histórias historicamente silenciadas encontrem espaço nas telas e no imaginário coletivo. Cada filme movimenta nossa cadeia produtiva e abre caminho para novos profissionais que escolhem fazer cinema aqui", destaca.

Ao completar dez anos, a Floriô de Cinema reúne mais de 15 curtas-metragens produzidos, três longas e duas séries em desenvolvimento, consolidando uma atuação que vai além da produção audiovisual ao integrar formação, distribuição e difusão cultural. A produtora aposta em um modelo de cinema descentralizado, conectando Sergipe aos principais circuitos do audiovisual brasileiro e internacional sem abrir mão das histórias, das pessoas e dos territórios que inspiraram sua trajetória.


REDAÇÃO

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